(texto editado, o original foi um e-mail escrito para minha amiga de infancia: Simone)

Quando escrevo as coisas do passado eu deixo os sentimentos fluirem. Dizem que ao longo dos anos nossa memoria nos engana, pq vai unindo fragmentos e associando eventos.

Em casa era assim, falar sobre o passado era TABU, foi so nos ultimos 3 ou 4 anos eh que todas as vezes que eu conversava com a minha mae eu pedia a ela que me contasse algo da minha infancia, a minha gestacao, o meu nascimento…. E conforme eu ia pergutando ela ia contando. Uma dia a minha Tia estava la, e comecei a fazer perguntas sobre a infancia delas, nossa!! foi tao bom, um dia eu escrevo tudo que elas me contaram. De certa forma acho que fez bem para elas tb. Minha Tia naquele dia contou um monte de coisas sobre minha avo (mae delas) que minha mae nao sabia, e acho que isso foi importante para minha mae que sempre manteve uma imagem romantica da mae dela, e na verdade nao era bem assim.

As familias se fecham mediante o sofrimento e cada um sofre num canto sozinho, seria tao mais facil falar a respeito, chorar juntos, e entender um o sofrimento do outro, mas nao, sempre tem aquele que precisa ser forte… Eh admiravel essa coragem e essa forca, mas qual o preco de deixar todas as memorias escondidinhas num canto???

O bom de escrever eh que voce se expressa sem interrupcoes, quando vc conversa com alguem, precisa sempre fazer pausas para ter certeza de que nao esta falando sozinha, e nessas pausa alguns pensamentos se perdem, longas cartas alem de nao interromper o pensamento ainda nos ajudam a melhora-lo, e entende-lo ou seria se entender?

Qualquer um pode escreve, nao se substime, a unica diferenca entre um e outro eh o estilo, o vocabulario, e principalmente a pratica. Alguem que eh mae e escreve de forma que seus filhos entendam, numa linguagem bonita e cativante, e emocao na medida certa para aqueles que ainda estao iniciando as descobertas da vida, enquanto eu escrevo para uma pessoa na mesma idade que eu.

Alem do mais cada um adota um estilo e varia conforme o humor.

E o meu, eu ja conheco bem eh dramatico, estilo: “romeu e julieta”, daqueles que nunca acabam em final feliz.

A pratica me ensinou que escrevo melhor quando nao estou bem, quando estou triste ou doente ou depressiva, ai saem o melhores textos…..

E quando eu escrevo muito mais sobre o passado do que sobre o presente eh porque nao quero falar sobre o que esta realmente acontecendo isso por N razoes.