Sao 7:30 da manha, ainda esta escuro la fora, chove e venta muito!! - Acho que ouvi dizer na previsao do tempo que teriamos sol hoje… hum… Sera??? - Nao fez um unico dia de sol essa semana, e se eu nao estivesse tao ocupada aqui dentro estaria me sentindo depressiva.

Ate quarta esperei por pelo menos umas horinhas de sol, dai desisti e sai para tirar fotos “black&white” na chuva mesmo. O resultado foi bom, revelei ontem, estou num momento “numeros das casas, portas e fechadura”. Um filme inteiro de 24 poses so com esse tipo de foto.
Nessa fase do curso estamos trabalhando apenas com fotos preto e branca, revelacao, tecnica de laboratorio… enfim, divertido!!!

Darkroom ontem no curso: ( 1-minnha foto sendo revelada, 2-eu tirando da bandeja )

Yoga - Eu nunca pensei que iria gostar tanto assim! Nao sabia quase nada a respeito antes, para falar a verdade ainda nao sei, nao fui ler ou pesquisar, estou deixando o aprendizado vir naturalmente, e tenho uma sensacao de que ja incorporou meu ritmo de vida.

Fisicamente falando eh otimo!! Mental ou espiritual (se preferir o termo), eh renovador.E a frase da semana eh: “Deixe passar as coisas, mas guarde os sentimentos” - Desapego, de tudo aquilo que eh materia e isso incluiu as outras pessoas. Ninguem nem nada pertence a ninguem.

E isso me fez lembrar de algo que li nesse blog aqui.

(copiado abaixo)


CANTOS DE SOLIDÃO

(l)
Disse-me o avaro:

“A mim só importa o convívio humano se posso nele urdir os meus planos de incontida esganação
Fortes são os elos que me atam às riquezas; desprezo a santidade de pobreza, sofrimento e humilhação
Minha misantropia diligente concede-me a distância prudente dos que planejam usurpar-me benesses
Rejeito a filantropia hipócrita que só aos néscios convence de que, neste mundo de interesses, é dando que se recebe
Ter muito mais do que necessito, cantar meu canto, rir meu riso é minha inquebrantável vocação
Deixo os pobres e humildes, de lágrimas fáceis, perturbações e melindres, à sua comiseração
Sou feliz por ter demais e por ter muito sou amado e a mim, pouco importa se os que alardeiam esse amor são sinceros ou dissimulados
Eu quero e se quero, eu posso, digo sempre a mim mesmo, pois não há no mundo um só desejo que não possa ser comprado
Para que temer a morte, ter pesos na consciência, se para todos ela chega, dos que secam na miséria aos que nadam na opulência?”.

(II)

Disse-me o apaixonado:
“Só não sou, pois a tenho ao meu lado; minha vida é completa; amo a flor mais seleta deste jardim memorável
Sou para ela e ela é para mim o que não há valor que compense; tenho-a em meu coração e ela tem a mim em sua mente
Ela é todos os meus sentidos, essência de minha substância, dona de meus íntimos desejos
Anseio por seus delicados beijos quando me deito, sonho e desperto em nosso suave leito
Dela quero aspirar o ar, sorver a água, pulular seus pensamentos com meu amor criativo,
Porém, se um dia ela partir, consumir-me-ei submergido na dor mais vil que nos aflige, e…
Não tendo decifrado o enigma do adeus, destroçado serei pelas garras e presas da esfinge
Se a tal desventura for condenado, que eu retorne ao pó de que um dia fui moldado e me despeça desta sorte demente
Para nascer mais uma vez e encontrá-la num dia de felicidade rara e que nem mesmo a morte nos separe novamente.”

(III) Disse-me o monge:
“Filho, creia em meu testemunho: ao maligno pertence este mundo e tudo o que nele se vê é vão
Viver em orações e penitências, ter como amiga a paciência, eis o que à minha alma apaixonada anima
Pura é a minha batina, imaculado meu solidéu; persevero, busco o céu, luz benigna em minha retina
Na clausura de minha cela internado, em silêncio, rogo ao Senhor Venerado, pelo homem de espírito cego
Clamo por Seu obséquio aos insanos pecadores, tolos reféns da luxúria e de seus lascivos odores
Não têm na castidade o alento, buscam inebriados os momentos de uma vida febril de vaidades
Asilado neste sacro mosteiro, a Ele ofereço de joelhos cada segundo de minha vida devotada
Meu espírito de brancura intocada, aos céus adentrará triunfante e à Sua direita será mais um diamante
Incrustado para sempre no magnífico manto, que aprazível e gentil acolhe exclusivamente Seus santos”.

(IV) Disse então, a mim mesmo:
“Não, não serão os apegos às coisas, pessoas e pensamentos que nos redimirão dos tormentos do cálice travoso da solitude
Só o “amai-vos!” amiúde amenizará nossa dor rude e aplacará o pavor do mais tenebroso esquecimento”.

(Elcio Domingues)