Ontem trocando e-mails com minha querida amiga virtual Nadia, falavamos sobre relacionamentos, como eh dificil para nos as vezes conviver com ?pessoas rasas?, pessoas que nao se aprofundam em uma amizade, e que de certa forma nos inibem de sermos nos mesmos.

Eu contei para a Nadia que eu tenho um ?problema?, eu normalmente sou espelho, eu sempre vou tratar os outros da mesma forma que eles me tratam, a nao ser casos extremos aonde prefiro simplesmente nem manter contato. Comigo nao funciona essa historia de tratar todo mundo igual, mesmo porque as pessoas sao diferentes, como posso trata-las maneira igual?

No nosso “vai e vem” de e-mails, a Nadia escreveu o paragrafo abaixo que eu adorei, e depois de obter permissao para coloca-lo aqui, divido com voce:

?E isso de amizade, relacionamento eh muito interessante. Ha pessoas rasas, que nao trazem nada de bom para no’s. Mas o ponto aqui nao eh do principio egoista de ‘nao me trazer nada de bom’. O pior eh que voce tambem nao da’ nada de bom. E isso mata o que trazemos dentro no’s. Pior do que nao receber eh nao poder dar o que se sente. Nao poder trocar. Se fossemos viver sem podermos trocar ou dar sentimentos, pensamentos, as pessoas nao se auto-conheceriam e nao cresceriam. Eu acho…
Seria um relacionamento arido de uma alma com o nada… Impossivel ! Um verdadeiro ‘inferno pessoal’. Se bem que todos temos o nosso proprio inferno…? Nadia Young

A ?conversa? continuou e entramos na questao de quem seria mais feliz, aqueles que como eu ou ela, simplesmente nao conseguem manter um relacionamento raso, e acabamos tendo poucos amigos mais que sabemos tudo a respeito deles e eles de nos, ou aqueles que ate preferem esse tipo de relacionamento, pois nao requer compromisso, e assim podem de ter centenas de amigos. Nao chegamos a uma conclusao, afinal cada e cada um, e diferenca entres as pessoas e justamente o que enriquece o mundo.

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Terminamos nossas “conversa” de ontem, com a poesia que a Nadia me mandou:

?Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que eh tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes so o que sentes.
Es feliz porque es assim,
Todo o nada que es eh teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheco-me e nao sou eu.?
Fernando Pessoa